Reinaldo Kherlakian sonha em ser o novo Cauby Peixoto
Herdeiro da Galeria Pagé tem um zoológico em casa, pilota o próprio helicóptero e possui apartamentos em Miami, Nova York e Paris
- Kherlakian e o felino Sultão: "Ele é o meu gatinho" (Foto: Mario Rodrigues )
26.out.2012 por João Batista Jr.
O relógio marcava 21h40 do último sábado (20) quando as luzes do salão nobre do Clube Sírio, no Planalto Paulista, se apagaram. Abastecida de vinho argentino, bolinhas de queijo e espetinhos de frango, a plateia (298 pagantes e trinta convidados, segundo as contas dos organizadores) solta gritos de excitação quando um painel de LED de 25 metros quadrados anuncia a atração da noite: “Show de Reinaldo Kherlakian — Para ouvir com o coração”. Em seguida, surge em cena o astro, com olhos carregados de rímel e os fios brancos do cabelo suavizados por traços de lápis preto molhado em água boricada. Compenetrada, a estrela abre os trabalhos com o manjadíssimo bolero Bésame Mucho, de Consuelo Velázquez. Apesar dos 58 anos de idade, trata-se de um dos primeiros grandes shows do intérprete. Milionário herdeiro da Galeria Pagé, o shopping do centro que funcionou durante décadas como um paraíso de produtos contrabandeados e falsificados, ele andava com tempo de sobra nos últimos anos, administrando de longe os negócios da família, até que resolveu tentar a sorte na música. A estrutura disponível no espetáculo é de matar de inveja qualquer outro calouro. Uma miniorquestra com catorze integrantes o acompanha e os equipamentos utilizados no palco são de primeira linha. Há quatro teleprompters espalhados por ali rodando as letras das músicas e a ordem do repertório e o microfone principal é um Sennheiser, fabricado pela marca alemã Neumann. “Igualzinho ao da Beyoncé”, conta, orgulhoso, Kherlakian.
O iniciante tem planos ambiciosos. Não quer ser um crooner qualquer. Deseja tornar-se um novo Cauby Peixoto. Além de um punhado de clássicos românticos no bolso do paletó e da voz grave e empostada, a indumentária utilizada nos shows não deixa dúvidas a respeito da principal fonte de inspiração. Blazers vistosos de Ricardo Almeida estão entre as peças preferidas. Na apresentação do Clube Sírio, Kherlakian envergava um terno de paetês metalizados feito sob medida por João Camargo, alfaiate que cobra até R$ 20.000,00 por trabalho e tem entre seus clientes personalidades como o ator Luciano Szafir e o cantor Ney Matogrosso. Sua camisa branca era fechada por abotoaduras de brilhantes do tamanho de uma bola de gude. Nos pés, um par de sapatos Salvatore Ferragamo com centenas de diamantes negros incrustados. No público, vários amigos (entre eles o empresário Ricardo Mansur, ex-dono do Mappin e da Mesbla), certos parentes (como o primo Renato Kherlakian, o fundador da grife Zoomp), algumas esportistas (as meninas do vôlei Fabiana Claudino e Sheilla Castro, bicampeãs olímpicas) e muitos integrantes da comunidade armênia da metrópole (caso da artista plástica Cristina Kartalian, famosa por ter sido a terceira das seis ex-mulheres de Fábio Jr.).
No meio do show, ele recebeu no palco sua mulher, Adele Zarzur, e lhe deu uma bitoca nos lábios. Ambos agradeceram a presença de personalidades conhecidas. “Nossa, isso é tããão coisa do interior”, alfinetou uma das presentes, a joalheira, atriz e socialite Kristhel Byancco. Vestida num chamativo casaco de pele e no páreo para disputar uma vaga na segunda edição do reality show Mulheres Ricas, ela, além de outras personagens, conferia ao local um clima de Programa Amaury Jr., impressão reforçada pela presença da equipe do próprio apresentador, contratada por Kherlakian para fazer “reportagens” sobre ele pelos próximos seis meses, ao custo de R$ 35.000,00. O espetáculo durou uma hora e meia. No ato final, depois de soltar o gogó em Volare, de Domenico Modugno, fez que ia terminar, mas voltou para o bis com uma assistente segurando dezenas de rosas colombianas. Ao som de Amigo, de Roberto Carlos, encerrou a apresentação e distribuiu flores. “‘Brigado’, gente”, repetiu, por várias vezes.
Uma das principais peculiaridades de sua tentativa para entrar no showbiz está relacionada ao principal patrono do projeto. No caso, ele mesmo. Saem de seu bolso despesas com o entourage musical (R$ 43.000,00 por mês para o pagamento dos integrantes da orquestra, de três iluminadores e de dois técnicos de som) e uma equipe de bastidores que inclui uma preparadora vocal e até um dentista que o acompanha a todo lugar. “Vai que cai uma coroa do meu dente, né?”, explica. O autopatrocínio estende-se à organização dos shows. Na maioria dos casos, o cantor é quem aluga os espaços e banca os demais custos. A apresentação no Clube Sírio representou uma exceção, uma vez que três empresas arcaram com o orçamento da empreitada (uma revendedora de helicópteros, uma distribuidora de materiais hospitalares e, bingo!, a Galeria Pagé)
fonte:veja são paulo